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  • Celia Gouvea

TERAPEUTA FLORAL – Uma Identidade em Construção

Atualizado: 14 de abr. de 2020

o Terapeuta Floral que, além de atuar como cuidador, percorre o caminho em direção à ascensão, a exemplo de Bach, trabalhando interna e externamente com afinco, na busca do desenvolvimento espiritual pleno, visando alcançar a transcendência.

Para Bach o profissional idealizado para atuar com essências florais, tem predicados que transcendem o modelo biomédico, sendo este terapeuta quase um missionário, que necessita de aprofundamento no conhecimento da natureza humana, atuando dentro de uma abordagem holística, espiritualista, acolhendo amorosamente todos os que procuram seu socorro.


No futuro, acreditamos que este perfil esteja mais claro e definido, para os próprios terapeutas, que idealmente deveriam agregar os três níveis de atuação, conforme preconizado pelo seu criador. Entretanto, atendendo inclusive às necessidades de cada sujeito, individualmente, ora um ou outro modelo poderá ser mais adequado para uma atuação terapêutica eficiente.

Por Celia Gouvêa


A terapia com essências florais foi realizada, na atualidade, pelo inglês Edward Bach, por volta de 1930. Como se sabe, Bach, que era médico, percorreu um longo caminho até o desenvolvimento da sua pesquisa. Iniciou seu trabalho como médico alopata, tendo se especializado em diferentes áreas, como a bacteriologia e a imunologia. Mais adiante reconheceu os benefícios da homeopatia, passando a integrar a equipe do Hospital Homeopático de Londres. Adentrou o campo da pesquisa com plantas medicinais, partindo por fim para o desenvolvimento do seu método pioneiro de preparo das essências florais, cuidando da saúde do corpo e da Alma.


Em sua breve passagem pelo planeta, dedicou-se mais ao desenvolvimento de sua metodologia de preparo das essências e do estabelecimento dos princípios norteadores do cuidado com florais, do que da definição dos atributos do profissional que viria, mais tarde, a constituir-se como agente deste cuidado.


Para Bach o profissional idealizado para atuar com essências florais, tem predicados que transcendem o modelo biomédico, sendo este terapeuta quase um missionário, que necessita de aprofundamento no conhecimento da natureza humana, atuando dentro de uma abordagem holística, espiritualista, acolhendo amorosamente todos os que procuram seu socorro.


Nos seus escritos é possível identificar que, para Bach, este profissional não apenas acolhe o indivíduo, sendo também um facilitador do processo de ascensão do Ser. Neste sentido, ele descreve suas essências florais, como os remédios que “existem na natureza, e foram colocados ali pela Graça do Divino Criador para a cura e o conforto da humanidade.” (p. 51)


Por outro lado, observando a própria personalidade do Dr. Bach e sua trajetória, sua identidade profissional foi sendo dinamicamente revista ao longo do seu trabalho, agregando diferentes atribuições e abordagens, na medida em que experienciou ele mesmo suas essências florais.


Partindo deste olhar é possível reconhecer Dr. Bach, o médico, ocupado de promover a cura das enfermidades, com o alívio do sofrimento daqueles que padecem das dores do corpo, resultantes do afastamento do eu inferior, ou personalidade, dos ditames do seu Eu Superior ou Alma, como ele repetidamente ressalta.


Encontramos também Bach, o facilitador do processo de educação da Alma, da natureza sutil do indivíduo, que precisa liberar seus canais energéticos, alcançando o equilíbrio, a harmonia e a paz interior.


E, por último, mas sendo talvez o aspecto de maior relevância em sua trajetória, foi ele o buscador espiritual, tendo vivenciado com profundidade cada etapa de sua pesquisa, mergulhando nos arquétipos refletidos em cada essência, sendo guiado por elas em sua Alquimia Interior.


Com a manifestação dessa diversidade de abordagens, ou seja, diferentes formas de fazer e de promover o cuidado terapêutico com essências florais, delineia-se o perfil deste profissional, que atua de forma muito peculiar, orientado pelas diretrizes que seu criador traçou, embora sendo necessária a adequação da terminologia usada por ele, já que, naquele momento algumas abordagens e saberes não existiam ou estavam em construção. Esse é o caso das abordagens psicológicas e das várias linhas de cuidado terapêutico através das práticas integrativas e complementares, que se somam tão bem com a Terapia Floral.


Refletindo sobre estas questões, consideramos que ainda hoje a identidade do Terapeuta Floral é um conceito em construção. Percebemos que esta identidade está forjada, em especial, numa condição interior de receptividade por parte deste profissional, que acompanha o outro dentro de uma abordagem holística, não desprezando nenhuma das manifestações do sujeito, seja ela no nível físico, emocional, mental ou espiritual.


Entretanto, embora Bach coloque que não há necessidade de nenhuma formação específica para que se empreenda o cuidado com florais, fica claro que a terapia floral atua segundo uma abordagem muito característica, de caráter transdisciplinar, reunindo múltiplos saberes, atendendo a subjetividade de cada indivíduo em sua especificidade.


Quando pensamos no perfil e na qualidade da assistência prestada pelo Terapeuta Floral na atualidade, identificamos três vertentes básicas que caracterizam sua atuação. A primeira refere-se ao profissional que atua na promoção da saúde integral, exclusivamente através do uso das essências florais, estando ele preparado para acolher o sujeito em sua aflição, identificando os padrões e atitudes que impedem a livre e plena expressão da sua Alma.


Num segundo momento foi possível identificar o profissional, que atua com essências florais, sem abrir mão de sua formação de base, agregando a Terapia Floral dentro de uma abordagem complementar.


E, por último, temos o Terapeuta Floral que, além de atuar como cuidador, percorre o caminho em direção à ascensão, a exemplo de Bach, trabalhando interna e externamente com afinco, na busca do desenvolvimento espiritual pleno, visando alcançar a transcendência.


Este processo pode ser identificado na trajetória de alguns terapeutas e pesquisadores de essências florais, muitos dos quais relatam estar seguindo um chamado interior, a exemplo do seu idealizador, sendo levados a um mergulho nas esferas sutis da natureza, expandindo sua consciência, funcionando as essências florais como seu guia, apontando os passos do caminho e facilitando a transformação dos padrões limitantes que impedem a plena expressão das suas qualidades divinas.


No futuro, acreditamos que este perfil esteja mais claro e definido, para os próprios terapeutas, que idealmente deveriam agregar os três níveis de atuação, conforme preconizado pelo seu criador. Entretanto, atendendo inclusive às necessidades de cada sujeito, individualmente, ora um ou outro modelo poderá ser mais adequado para uma atuação terapêutica eficiente.


Cabe ainda destacar que o fato de Bach ressaltar que “qualquer pessoa” poderia atuar como Terapeuta Floral, não vem desqualificar a preparação deste profissional. Entendemos que, com sua afirmação, ele aponta que este profissional pode surgir de qualquer área, ou mesmo, não ter nenhuma formação acadêmica específica, pois a qualidade da Alma do Cuidador é subjetiva, sendo o elemento fundamental neste campo de atuação. É este aspecto que, somado ao conhecimento fundamentado acerca das essências florais, irá definir as competências e as diretrizes de sua prática clínica.

BIBLIOGRAFIA

Bach, E. – Os Remédios Florais do Dr. Bach - Cura-te a Ti Mesmo, 1999, Pensamento, SP.

BAPTISTA, M. T. Identidade profissional: questões atuais. In: DUNKER, C. I. L.; PASSOS, M. C. (Orgs.). Uma psicologia que se interroga: ensaios. São Paulo: Edicon, 2002. p. 145-154.

BARNARD, J. - Forma e Função, 2012, Prol Editora Gráfica Ltda, SP.

COUTINHO, KRAWULSKI e SOARES - Identidade e Trabalho na Conteporaneidade: Repensando Articulações Possíveis, 2007, in Psi & Sociedade. vol.19 Edição Especial 1: 29-37, Porto Alegre

LELOUP, J. Y e BOFF, L. – Cuidar do Ser, 2007, Vozes, 2ª ed. RJ.

WEEKS, N – As Descobertas Médicas de Edward Bach Médico, 1998, Instituto Dr. Edward Bach, 1ª ed., SP.

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